sábado, 28 de setembro de 2013

Shadows - Capítulo 15

            -Onde vamos?-Eu pergunto colocando uma toca de lã verde.
            -Na cidade.-Responde Joe fechando sua jaqueta azulada- Precisamos comprar as coisas para hoje a noite.
            -E a Núbia? É ela que compra a comida aqui.
            -Menos nos últimos cinco dias do ano. É uma tradição estranha do lugar de onde ela veio.
            -Do Egito, não é?
            Ele concorda comigo e saímos da mansão, a neve deu uma trégua nesse último dia do ano, mas o céu ainda está nublado.
            Joe e eu vamos caminhando até a cidade, achamos melhor te um tempo para nós, estamos de mãos dadas e caminhando sem pressa, mas só falamos quando não podemos mais vera mansão ao olharmos para trás.
            São vários minutos de caminhada até o centro da cidade, que não é grande coisa, a maior parte das casas são antigas e velhas, os prédios são baixos, quase todas as ruas são de paralelepípedos mal encaixados.
            As ruas estão movimentadas de pessoas vestidas com roupas brancas e verdes, uma antiga tradição, o branco representa a neve pura e o verde representa a busca por proteção, isso me trás lembranças...
            Damos voltas nas ruelas procurando algumas coisa especial para a noite, eu tento disfarçar, mas eu estou com vontade de sair correndo, fugindo para algum lugar, não fugindo de Joe, mas de Hannibal, daquela maldita mansão e da maldição de ser vampira.
            Meus instintos anseiam em ficar descalça e correr em direção à minha liberdade e nunca mais voltar, sem compromissos, mas no fundo eu sei que não posso...
            -Está procurando alguém?-Pergunta Joe, me tirando do transe.
            -Que?-Eu pergunto surpresa.
            -Eu sei que você viveu cinco anos morando pelas ruas daqui, você deve ter feito algum amigo, ou namo...- Ele se interrompe.
            -Tem alguém que eu quero ver sim.- Uma certa sensação de culpa me ocupa, eu até tinha esquecido dessa pessoa, uma das poucas que já se preocupou comigo de verdade.
            Eu vou indo na frente, Joe tenta me acompanhar, vamos em direção à única parte que moderna de Intence Hill, um shopping enorme, um viaduto largo passa nas alturas, a única avenida da cidade, mas o que me interessa está em baixo do viaduto.
            Dezenas de pequenas caixas de papelão e tabuas velhas formam casas mal feitas e inacabadas, crianças correm de um lado para o outro balançando no ar caixas velhas de suco como se fossem aviões, uma dúzia de barris espalhados por toda a área contem um fogo fraco.
            Apesar de tudo estar caindo aos pedaços, as ‘casas’ estão alinhadas, formando pequenas ruas e becos, mas a maior parte das ‘construções’ tem menos de um metro de altura, então é possível enxergar bem os pilares do viaduto.
            Meus olhos correm por tudo, tentando encontrar algum ponto de referência familiar, mas estou perdida, tudo mudou tanto, desde que fui expulsa daqui.
            -Ele tem que estar aqui ainda, tem que estar...-Eu murmuro para mim mesma.
            Então uma voz fraca me chama.
            -Demeter?
            -Absalon!!-Eu me viro.
            Ele esta sentado no chão, coberto como um índio com uma coberta corroída, sua pele curtida pelo sol apresenta manchas, a barba está longa e grisalha, como da última vez que eu o vi, os olhos leitosos e sem vida...
            -Eu sabia!-Diz ele- Eu sabia que você era uma deusa! Demeter! Eu sabia que você tinha poderes para voltar para mim!
            Nós rimos, é uma velha piada com o meu nome, eu conheci Absalon quando eu cheguei na cidade, sem casa, nem dinheiro, eu tinha 15 nos na época, ele tinha 72, mas era firme o suficiente para se sustentar trabalhando como catador de lixo, ele me ensinou como viver nessa cidade, como arrumar emprego e coisas assim, ele é muito sábio e gostava de ler sobre história nos livros que da biblioteca publica, foi onde ele descobriu que meu nome vinha da deusa grega da agricultura, desde então ele diz que eu sou uma deusa disfarçada (Por brincadeira é claro, ele não é louco).
            -Eu não tive chance de dizer o quanto você é especial, minha filha!-Diz ele chorando- Se eu pudesse ao menos ver seu rosto novamente...
            -Não vamos falar disso, ok?-Eu digo- Ah! Eu quero que conheça Joe!
            Eu faço um sinal para que Joe se agache na frente de Absalon, ele parece meio tenso, mas faz o que eu peço, ele se apresenta e Absalon toca seu rosto, como ele é cego, é assim que ele conhece as pessoas.
            -Sua pele é muito fria!- Diz ele franzindo a testa- Como você conheceu a Demi?
            -Ela mora comigo.-Responde Joe meio nervoso.
            Eu bato na testa, o que ele disse não tem como não maliciar, eu queria ficar com Absalon, mas eu sei que não posso, eu tenho que me afastar do meu passado, a Demi humana morreu.
            -Absalon...-Eu digo- Eu preciso ir...
            -Mas por que?
            -Eu tenho uma vida nova agora. Eu preciso voltar para ela agora.
            Eu vasculho meus bolsos até encontrar alguns dólares, eu entrego para Abasalon e me afasto rapidamente, Joe me segue.
            Vou passando pelas pequenas casas de papelão quase correndo, eu quase não percebo o pé de alguém, até que eu tropeço nele, por sorte eu não me esborrachei no chão, pé pertencia a um homem com a barba mal feita, com roupas visivelmente gastas e esburacadas, ele estava sentado com as pernas esticadas, uma garota estava com a cabeça deitada em sua perna, sua aparência era frágil, ele era muito pálida, com cabelos negros e lisos, seus olhos estavam fechados, ela tremia em baixo de uma coberta fina.
            -Me desculpe..-Eu digo.
            -Caia fora daqui!- Diz o homem apontando para uma direção aleatória- Ela precisa descansar, está muito doente!
            -O que ela tem?- Eu e minha curiosidade...
            -Câncer no Pâncreas.- O homem olha com tristeza para a garota.
            Ele abraça a garota do jeito que pode, ela parece ter uns 15 anos, mas algo me diz que ela é mais velha do que isso, mas eu não tenho o que fazer, então continuo ido para longe daquele lugar, eu não paro de andar até chegar em uma familiar praça, a mesma em que eu conheci Jessy e minha vida mudou para sempre.
            Eu me sento no mesmo banco e abraço minhas pernas, Joe se aproxima calmamente e se senta ao meu lado, exatamente onde Jessy havia sentado, ele não diz nada, mas eu percebo que de certa forma ele está me consolando.
            -Eu tive amigos nesses anos,-Eu digo baixinho- mas algumas viraram garotas de programa, outros morreram por gangues, muitos nem me reconhecem mais por estarem enfiando qualquer porcaria no braço, eu não tenho passado, eu vou ser uma vampira, vivendo com a minha dor para sempre...
            Eu começo a chorar muito então, tudo o que eu disse foi verdade, ainda me lembro dos rostos e nomes que são difíceis de pronunciar sem manter a calma, Joe me abraça com força, me protegendo dos meus medos.
            -Você pode ter um futuro...-Sussurra ele no meu ouvido- Com essa maldição que nós dois carregamos, nós podemos conviver com isso! A vantagem disso é que podemos viver para sempre! Deixe o passado para trás, você pode ter um futuro aceitável, um futuro prospero... Ao meu lado.
            Eu levanto a cabeça e ele me beija, nós já nos beijamos uma vez, mas daquela vez não conta eu estava praticamente tendo um colapso, esse foi mais caloroso, eu estava completamente consciente desta vez, então pude curtir casa segundo, as mãos de Joe me trazem para mais perto de si.
            O resto do dia foi o mais perfeito de todos, tirando o fato de estar gelado pra caramba, as ruas lotadas de pessoas e o Joe pirando por causa do preço da serpentina, foi ótimo.
            Entre as compras de decorações e comidas nós saímos para curtir um pouco, assistimos alguns palhaços ridículos de rua, tomamos chocolate quente com chantili, ele me contava coisas engraçadas que ele aprontou na mansão, algumas situações engraçadas, mas sempre evitava falar na Jessy ou em Hannibal.
            Mas a noite logo chegou e tivemos que voltar, deixando a alegria das pessoas normais (e humanas) para trás e aceitando o silêncio da estrada, chegamos na mansão cansados, carregando diversas sacolas.
            -Chegaram tarde!- Diz um garoto de 15 anos loirinho (Sim o mesmo que dançou comigo na minha iniciação), suas palavras estão cheias de malícia- Fizeram muitos desvio?
            As pessoas ao redor riram, mas Joe me surpreendeu, passou o braço em volta de minha cintura e me puxou para perto, as pessoas ficaram surpresas e ajudaram a carregar as sacolas, eu vou para meu quarto.
            Tomo um banho bem quentinho, penteio meu cabelo (Os fios dourados estão quase sumindo agora), vasculho as cômodas até encontrar alguma roupa adequada, o que não foi fácil porque todas as roupas são escuras e discretas, mas acabo encontrando um vestido de linho que vai até o pé de um degrade do brando até um verde suave, ele sendo bem quente.
            Todos estão reunidos do lado de fora da mansão, eu posso perceber certa ansiedade de todos, Lindsey está no meio de um circulo de pessoas, tocando uma melodia, mas sempre que podia dava uma olhada em direção à um homem que estava na roda também, estava escuro então eu não pude perceber características dele.
            Estava tudo ótimo, para minha sorte Hannibal resolveu não aparecer, nem  Jessy, eu sei que é maldade, mas eu desejei muuuuito para ela não vir, ia estragar o clima todo, ela ainda tem aqueles surtos estranhos.
            Então a contagem do último minuto começa, Joe me traz uma taça com refrigerante (Vampiros se preocupam com a saúde, bebidas alcoólicas só faz mal para o corpo, sem falar que é ridículo beber só para se sentir importante).
            -3...-Gritaram todos juntos-2...1...
            O que acontece depois eu não sei, estava ocupada demais beijando Joe, depois dançando loucamente com Lindsey como se ninguém estivesse nos olhando.
            E uma única vez na vida eu não estava preocupada com nada, nem com o passado, nem com o futuro e muito menos com o presente, pois estou segura agora, mesmo sabendo que vou ter dificuldades e problemas em alguns meses com aquele maldito baile do Hannibal...
            Mas, pra que pensar nisso agora? Tenho tudo o que eu preciso, bem aqui.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Aviso + Divulgação

Oi, oi gente! Tudo bem com vocês? Espero que sim ^^
Então galera, primeiramente queria divulgar esses dois blogs aqui. Seria muito legal se dessem uma olhadinha neles e seguissem, se der vontade.


Bom, agora o aviso.
Como sabem, essa história não é minha. Minha amiga é quem escreve e me pediu para postar aqui no blog. Mas há complicações, como sempre. Os motivos são os mesmos: falta de tempo, semana de provas, doenças e bloqueios criativos. Mas isso não dura para sempre, garantimos.
Peço que tenham um pouco de paciência quanto a demora dos capítulos. Juro que eu queria postar um por dia, mas no momento não é possível. Mas já que minha amiga que ta escrevendo a web a ser postada, estou tendo mais tempo para escrever outras histórias, então provavelmente terei uma história pronta, ou quase pronta, para postar quando Shadows acabar.
Agradeço a paciencia de vocês ^^
Mas se quiserem fazer críticas ou sugestões, estaram liberadas.

Beijos, e que a sorte esteja sempre ao seu favor.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Shadows - Capítulo 14


            -Lar doce lar?-Pergunta Lindsey torcendo o nariz.
            Voltamos para a mansão de Hannibal, nem eu nem Lindsey ficamos muito satisfeitas, mas felizes por deixar São Petersburgo, aquele lugar me marcou para sempre.
            O lugar me lembra a casa do papai noel, só que com bando de jovens vampiros, como eu já explique antes, a mansão tem várias salas, todas com sofás e lareiras, então...todas as lareiras estão acesas, as janelas e portas tem visgo pendurado (vez ou outra, algum garoto surpreendia uma garota com um beijo quando ela passava pela porta).
            Vou para o meu quarto, jogo minha mala na cama, Lindsey aparece pouco depois, me convidando para dar uma volta, ela me conta que o natal é uma das poucas coisas que se comemora aqui, então todos estavam animados.
            Já estava anoitecendo, todos se reuniram em uma das maiores salas, todas as luzes apagadas, a única fonte de luz era a lareira, todos estavam sentados no chão ou encostado nas paredes, com canecas com chocolate quente, Lindsey e eu nos encostamos em um canto.
            Em outro canto havia uma enorme árvore de natal enfeitada com pequenas luzinhas, na frente da lareira estavam um casal cantando uma música natalina, o garoto tinha os cabelos e a barba parcialmente compridos e uma voz grave mas gostosa de ouvir, a garota era loira, com lindos cachos que caiam por uma roupa púrpura, ela tinha uma voz forte e muito bela, mas eu reconheceria ela em qualquer lugar.
            -K...Kistie?-Sussuro.
            -Ahan!- Lindsey suspira- Ela força a voz para ficar rouca, mas parece que o namoro com Avi está mudando o coração dela, sem falar que ela pintou de novo o cabelo. Sério, do tanto que ela pinta o cabelo é capaz de ficar careca.

“Hark how the bells,
Sweet silver bells,
All seem to say,
Throw cares away”



            -Eu conheço essa música!-Digo- Carol of the bells! Minha mãe cantava para mim no natal, o único momento em que eu existia para ela!
            A canção termina e todos aplaudem, mas Avi pega um visgo de seu bolso e ergue acima da cabeça, entre ele e Kistie, ela fica corada quando ele se aproxima e a beija, os aplausos ficam mais intensos.
            Lindsey se encaminha para o palco com o violino em mãos, rapidamente o encaixa no pescoço e toca uma melodia lenta, lembrando uma música celta, mas ao mesmo tempo natalina.
            -Ela é bem talentosa!-Diz uma voz em meu ouvido.
            Ele está tão perto que posso sentir sua respiração em minha pele, meu coração dispara e meu estomago enche de borboletas, simplesmente sentindo o que é normal quando se está apaixonada.
            -Pensei que não ia vir.-Digo para Joe.
            -Eu só vim te chamar!-Diz ele- Hannibal convocou uma reunião para os participantes da missão.
            -Lindsey...
            -Ela não fez parte da missão oficialmente.
            Eu deixo ele me conduzir pelos corredores da mansão, eu fico mais nervosa a cada passo em direção aos corredores familiares, por fim paramos em frente à porta de madeira entalhada, Joe entra sem bater.
            Tremo inteira na visão daquela sala terrivelmente organizada e limpa, mas por um instante eu encaro o chão, tenho a impressão que ainda posso ver uma mancha no chão de madeira, uma mancha escura avermelhada.
            Hannibal está de pé perto da janela, observando a neve se acumular do lado de fora, ele veste um terno de lã de sempre, mas seus cabelos parecem um pouco desarrumado.
            -Podem se sentar.-Diz ele sem olhar para nós.
            Joe se senta, mas eu fico de pé atrás do sofá, é um pouco difícil com o sapato de salto alto que eu estou usando, eu estou de uma calça preta apertada e uma camiseta preta meio roxa folgada.
            -Estamos aqui para falar sobre a missão.-Esclarece Hannibal.
            -Mas..-Eu digo surpresa- Eu pensei que não tinha dado certo, por causa do..hum... problema com a Jessy...
            Joe abaixa a cabeça, depois que ela ‘morreu’, ele ficou arrasado, mas ficou ainda mais quando Hannibal a trouxe com vida, ela viajou conosco de volta para Intense Hill, mas não disse nada, depois que desembarcamos do carro ela simplesmente sumiu.
            -Pelo contrário.-Suspira Joe, levantando novamente a cabeça, sem me olhar- Nós a completamos com sucesso.
            -Quê?
            -Joseph não contou à vocês a missão completa.- Hannibal se vira para mim- Ele achou que seria melhor para o sucesso da missão.
            -E qual seria a tal missão afinal?-Eu pergunto cruzando os braços, propositalmente irritada.
            Hannibal indica o lugar no sofá ao lado de Joe, eu me sento, Hannibal se senta em outro sofá e me olha nos olhos, como se quisesse entrar em minha mente, odeio quando ele faz isso.
            -Vou lhe faze uma pergunta que devia ter feito antes! O que você sabe sobre vampiros? Quero dizer, o que você sabia antes de tudo isso?
            -Sabia que eles sugavam o sangue das pessoas, eu sabia que eles eram fortes, eles não podem andar no sol, que eram muito bonitos, ou muito feios, monstros...-Minha voz falha ao perceber que eu estava falando como se eu não fosse uma vampira também- E também tinham grandes hierarquias, grupos organizados ou coisa do tipo.
            -Exato!-Continua Lecter- A verdade é que temos um grupo organizado, onde existem filiais pelo mundo todo...
            -Incluindo São Petersburgo!-Eu adivinho.
            -Exato!- Diz Joe sem animo- Infelizmente não estamos muito bem diante nossos reis.
            -Joseph!- Repreende Hannibal- Eles não são nossos reis, é um Conselho que determina o melhor para nossa espécie. Mas ultimamente não estamos concordando com certas atitudes que eles tem tomado, então eles olham para nós com desprezo, nos últimos anos eles nos ignoraram e cortaram o nosso recebimento de sangue.
            -Recebimento de sangue?-Eu perguntou meio enjoada.
            -Depois eu te explico.-Sussurra Joe.
            -E a missão foi para chamar a atenção deles.-Conclui Hannibal- Eu suspeito que eles estão planejando algo e estão nos deixando de fora.
            -Você sabia?-Pergunto meio aborrecida- Que eu ia sentir aquela tontura e tal...
            -Sim!- Hannibal sempre sabe de tudo.
            -Então não teve nada a ver com aquela história que ela contou?-Eu pergunto confusa- Quero dizer, nós fomos lá então apenas para fazer aquela vampira saber que essa filial ainda existe?
            -Não exatamente. Demetria, tente entender que tudo tem um propósito.-Hannibal me olha de uma forma diferente, como se quisesse me dizer algo- Aquela jovem que encontraram na livraria em São Petersburgo era a guardiã dos registros da história de nossa espécie. A filial do Conselho, a principal filial, fica em São Petersburgo, Danielle é fiel ao conselho, ela achou importante reportar a sua visita e o que Demetria sentiu.
            -Se você convocou essa reunião...-Joe franze a testa.
            -È porque eles entraram em contato comigo!
            Um silêncio sinistro toma a sala, Joe murmura algo consigo mesmo em voz baixa, eu encaro o chão sem querer olhar para Hannibal, ficamos digerindo o que ouvimos até Hannibal colocar um envelope em meu colo.
            Ele se levanta, caminha até mim e se ajoelha ao meu lado, seus dedos quentes tocam meu rosto e me faz levantar a cabeça.
            -Não há nada de errado com você!-Diz ele baixinho- É apenas o seu destino! Percebe agora?
            Eu balanço a cabeça, ele se aproxima mais de mim, afasta meu cabelo do rosto e fala em meu ouvido:
            -Eu não lhe contei que aqui era uma filial! Eu não lhe contei que Danielle era uma vampira! Você está chegando em suas origens, sabe como reconhecer coisas do nosso mundo! Você nasceu para isso!
            Origens! Essa palavra ecoa em minha mente!
            Mas Hannibal tem razão (isso é tão estranho), eu consegui ver que Danielle era uma vampira, para mim estava tão óbvio que nem passou pela minha mente como eu sabia disso.
            Hannibal se afasta de mim com um sorriso maldoso, ele nos dispensa da sala e a reunião está encerrada.
            Eu e Joe caminhamos sem rumo pela mansão, eu guardo o envelope no bolso da calça, alguns adolescentes correm pelos corredores, os garotas tentando se vingar dos garotos jogando pequenas bolos de coloridas em suas cabeças.
            -Você quer vê-la?-Pergunta Joe com um olhar distante.
            -Claro!-Eu sei de quem ele está falando, ele não precisa explicar.
            Ele me leva até uma porta que eu não conheço, é em um lugar escuro e escondido, a porta leva para uma escada do porão, a lâmpada está queimada, mas conseguimos chegar no fim dela sem tropeçar muito.
            Não era bem um porão, estava mais para uma prisão, uma prisão bem moderna, haviam diversas portas seguindo por um corredor escuro e de cão batido, ao lado de cada porta havia um vidro grande, com aqueles de séries policiais das salas de interrogatório.
            Pelo que eu pude ver, todas as salas eram iguais, com um tipo de placas de metal branco revestindo todo o interior, os cantos estavam arredondados, a sala é bem clara e branca, mas um borrão está no meio da sala, uma garota com as mesmas roupas que usou em São Petersburgo.
            Aos pés de Jessy está seu cachecol, chamuscado nas pontas, seus cabelos soltam estática e suas mão estão envolvidas em raios dançantes.
            -Por que ela está aqui?-Eu pergunto.
            -Nós trazemos para cá quem não consegue se controlar ou controlar sua força.-Diz ele tristemente, eu fico pensando se ele já ficou aqui por algum tempo- Ela ficou um pouco perturbada quando voltou à vida.
            -Mas ela estava solta lá no Hotel e quando viajamos de volta.
            -Ela não é um animal! Não deve ficar enjaulada o tempo todo.
            -Ninguém deve ficar enjaulado.
            Em minha mente, “A canção do pássaro Aprisionado” ecoa, como no dia em que virei amiga de Lindsey.
            -O que Hannibal te entregou?-Pergunta Joe tentando não chorar.
            Eu pego o envelope e o abro, é um papel retangular, com flores marrons desenhadas suavemente, as letras levemente inclinada mostram a coisa mais horrível de todas (Pelo menos para mim naquele momento)
            -É um convite!-Eu suspiro- Hannibal vai dar um baile para o conselho na primavera.

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Heey galera, como vão? Notaram minha ausencia né kkkk Tipo, eu estive muito ocupada esses dias e talvez vou estar ainda nos próximos dias, mas acho que dou um jeito de postar outro capítulo, quando eu tiver um kkkk, Mas enfim, estão gostando da história? Espero quesim, porque eu estou AMANDO kkkk,
Beijos~

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Shadows - Capítulo 13

            Tenho um estômago fraco.
            O que não ajudou em nada em ver Lindsey vomitar.
            Mas antes disso eu estava ocupada chorando ao lado de seu corpo quebrado, ela estava deitada na cama do hotel, com os braços abertos e tremendo, por causa da dor.
            Hannibal a largou assim, pegou o corpo de Jessy do colo de Joe e foi embora.
            -Lindsey?-Pergunto, mas não tenho resposta- Me responde!Por favor!
            Joe se aproxima com um kit médico, o abre e vasculha um pouco.
            -Tira o colete dela!-Diz ele cortando algumas bandagens- Precisamos fazer alguns curativos.
            Ele não precisa pedir duas vezes, do melhor jeito que posso tiro o colete de Lindsey, mas não sei como tirar a blusa sem machucá-la.
            Joe pega uma tesoura e corta no meio a blusa verde, ele começa a apalpar as costelas dela, mas em vez de encontrá-las, seus dedos afundam levemente, indicando quase todas as costelas quebradas.
            -Como ela está viva ainda?-murmuro.
            -Ela é uma vampira!-diz ele sem olhar para mim- Precisamos enfaixar o tronco dela para evitar que piore, mas...huum...
            Ele aponta para o sutiã dela, ele tem respeito por ela, não vai fazer nada que acabe piorando sua imagem.
            -Eu começo enrolando e depois você continua,ok?
            Ele fica vermelho e vira de costas, nunca imaginei que veria Joe Jonas com vergonha, mas eu continuo focada em ajudar Lindsey.
            A partir daí Joe liderou, ele era realmente bom nisso, fez com calma, depois de uma hora, dos ombros até o umbigo Lindsey era uma múmia.
            -Agora eu vou ter que apertar, ok?- Diz Joe para Lindsey.
            Ela faz que sim, e fecha os olhos com força, Joe puxa as bandagens e prende com um esparadrapo, Lindsey geme alto de dor, ela agarra o edredom da cama.
            Foi então que ela botou pra fora o cereal, por sorte Joe havia colocado um balde do lado da cama, então ela apenas se virou e...bom, eu não vou descrever isso!
            Suor escorria por seu rosto, estava cansada de mais, tinha energia suficiente para dizer três sílabas:
            -Ce...re...al
            Eu rio disso, não tem como não rir, depois de tudo o que passamos, eu me levanto e vou pegar um pouco de cereal, acredito que ela merece, Joe termina de enfaixar seu braço quebrado.
            Eu pego uma tigela e encho com cereal comum, dou uma rápida olhada para trás e meu coração se quebra ao meio, Joe está passando uma pomada cicatrizante no rosto de Lindsey, mas tão lentamente, como se fosse um carinho em sua bochecha rosada.
            Mas então uma raiva sobe em mim, um ódio, ciúmes, enfio algus flocos de cereal na boca para tentar me acalmar, então dou um grito agudo e tapo minha boca com a mão.
            -Demi?O que foi?-Joe corre imediatamente em meu socorro.
            -Meu...dente...-Digo tentando amenizar a dor- Parece que rodos os meus dentes estão moles e doloridos.
            Joe dá uma risadinha de alívio, abre o congelador e pega um cubo de gelo.
            -Põe isso na boca.E não se preocupe, é normal.São seus instintos predatórios por pescoços humanos.-Diz ele calmamente- Seus dentes estão evoluindo para facilitar a sua alimentação quando estiver mordendo alguém.
                                  ~Cinco dias depois~
            Meus dentes caninos cresceram de forma significativa, terminando em pontas afiadas e perigosas, no começo eu me mordia sem querer, mas depois me acostumei.
            Mas ainda estou com tanta dor nos dentes que não consigo mastigar nada muito duro, então faço uma dieta de pudim e sopa, não sou muito boa na cozinha, mas o suficiente para nos manter alimentados.
            Lindsey melhorou bastante, ela consegue andar e respirar, mas ainda está dolorida e precisa de ajuda para tomar banho, MINHA ajuda, não a de Joe.
            Faz cinco dias desde que não saímos do hotel, morrendo de tédio, a única coisa que podemos fazer para nos entreter é assistir a TV russa, Lindsey tem tentado tocar violino, mas isso faz com que seu braço piore, e seu corpo ainda está fraco demais para comer cereal. Lembrete mental: Lindsey entra em abstinência quando está sem o violino ou cereal.
            -Acho que vou dormir.-Anuncia Joe.
            Seus olhos estão com profundas olheiras, ele se recusa a dormir, só tem uma cama, onde Lindsey fica a maior parte do tempo deitada de um dos lados, de noite eu durmo ao lado dela, Joe se recusa a dormir do lado dela, e o sofá é duro.
            Mas ele desistiu, deitou na cama, e puxou as pesadas cobertas até a cabeça, bem nessa hora meus dentes resolvem ter um acesso de dor, vou até o congelador e pego um cubo de gelo, o coloco em minha boa para anestesiar os nervos da boca.
            Mas posso ouvir alguém sussurrando, dou uma rápida olhada em meus amigos e meu coração ferve, Joe e Lindsey estão deitados na cama, com os rostos bem próximos, conversando baixinho, trocando um olhar suspeito e prolongado.
            Solto uma lágrima fina e rebelde, mas logo lembro que tenho que ser forte, tento fazer bastante barulho para anunciar que eu ainda estou ali (e para estragar o clima entre eles), vou indo para o sofá.
            -Eu vou dormir aqui mesmo!- Digo sem olhar para eles- No sofá mesmo!
            Pego uma fina coberta que estava em um canto, deito no sofá e me cubro, de roupa mesmo, o sofá é realmente desconfortável, mas eu não pretendo dormir, apenas espero ouvir alguma conversa entre os dois.
            Depois de algumas horas meus olhos começam a pesar, mas me  mantenho firme, eles ficaram em silêncio, mas eu sei que estão acordados.
            -Acha que ela dormiu?-Pergunta Lindsey.
            -Acho!-Responde Joe com a voz normal- Ela está muito estressada ultimamente, deve ter pego no sono a meia hora atrás.
            -Enfim! Sobre o que você disse antes...
            -O que tem?
            -É isso que realmente sente por mim?
            -Pareço um idiota, né? Por sentir algo assim...
            -Você não parece um idiota, Joe Jonas!- Lindsey tem um tom doce e gentil ao falar isso.
            Como descrever o que sinto? Sabe aquela hora em que você lembra que não fez algo que devia ter feito? Ou quando vê aquele cachorrinho na rua que você não pode ajudar? Ou quando você perde alguém?Esse é o sentimento de um coração partido.
            -O que a Demi vai pensar disso?- Pergunta Lindsey.
            -Acho que ela nem vai se importar...-Joe suspira.
            -Garotos são tão estúpidos...
            -Ei! Eu já sou um homem!- Protesta Joe.
            -Não o suficiente para perceber a verdade. Não está claro o suficiente?
            -O que está tão claro?
            -A Demi gosta de você!
            -Não é verdade! Viu o jeito que ela olhou pra mim todo esse tempo? Como se eu fosse o carrasco dela.
            -Ela culpa todos nós por isso!-Lindsey suspira-Ela não diz, mas eu sei que de certa forma ela me despreza.
            Não é verdade...Eu não desprezo você...
            -Mas eu não posso culpar ela!-Continua Lindsey- Eu não culpo ela!
            -E por que não?
            -Porque...-Ela hesita, mas rapidamente continua- ...eu também culpava você...por ter me levado a Hannibal...
            -Chega...-A voz de Joe falha- Hannibal é um assunto que eu não quero falar...
            -Tudo bem!Mas o assunto Demi nós temos que falar.
            -Não temos o que falar sobre ela!
            -Temos sim!- Lindsey grita, então volta a sussurrar- Pelo fato de você amar ela!
            Então alguém começa a bater com força na porta do quarto, não... pera...é o meu coração. Por que ele está batendo tão forte?
            Joe me ama...Isso me faz sorrir, eu poderia passar a noite inteira terminando de ouvir a conversa entre eles, mas meu animo me faz dormir de cansaço.
            De manhã eu finjo que não ouvi nada.
            -Eu não aguento mais isso!-Diz Lindsey.
            Ela se levanta da cama com uma cara de dor, mas nem liga, pega o violino e vai para a sacada, fecha a porta com força, encarando o frio de uma manhã com neve de São Petersburgo.
            -O que aconteceu?-Pergunto para Joe.
            -Ela cismou que vai conseguir tocar violino agora.- Responde ele, arrumando a cama- Ela nem vai ligar para a dor.
            No mesmo instante o doce som de um violino começa a tocar, eu me sento na cama, de frente para a porta de vidro que mostra a sacada, onde Lindsey está sentada em uma espreguiçadeira, tocando um ritmo lento.
            -My Immortal?-Pergunto.
            -Acho que sim!
            Joe se senta ao meu lado, meu estômago se contorce, nós dois olhamos para a sacada, mas posso perceber certo desconforto entre nós.
            -Você ouviu, não é?- Ele olha para mim com interesse.
            -Ouvi o que?-Pergunto inofensiva- A parte que você me ama?
            Posso jurar que Joe corou, ele baixa os olhos envergonhado.
            -Acho que preciso te explicar, o que eu sinto pela Lindsey!-Diz ele sem me olhar- Eu falei pra ela que sinto ela como se fosse minha amiga, eu estava preocupado que você achasse que era alguma outra coisa...
            Eu o interrompo, coloco minhas mão em seu rosto e faço ele olhar para mim, encaro seus olhos castanhos, cheios de dor, já viram toda crueldade que o mundo oferece, mas ainda são lindos e corajosos.
            -E por que você queria me explicar isso?- Pergunto aproximando o meu rosto do dele.
            -Eu só achei que merecia saber.- Tem algo em sua voz, algo como um nervosismo- Você sabia que o amor é quando você daria sua vida pela pessoa, não aquelas sensações humanas. Eu sei que eu daria minha vida por você. Você daria a sua para mim?
            Ou seja, ele me perguntou se eu amo ele, o que posso responder? Eu já senti tantas emoções misturadas por ele, eu saberia diferenciar uma de outra?
            Mas eu morreria por ele! Eu sei que sim.
            -Joe...-Pronuncio seu nome devagar, aproximando ainda mais meu rosto- Eu...
            Então a porta do quarto abre com força, Hannibal entra com pressa, ele nos encara com reprovação, ele nos ignorou quase a semana inteira, por que aparecer justo agora?
            -O que aconteceu?-Lindsey entra no quarto com uma expressão assustada, então ela vê Hannibal!
            -Eu só achei que gostariam de recebê-la novamente!-Responde Hannibal.
            -Ela?-Pergunto me levantando.
            -Pode entrar!- Hannibal indica para a porta com um sinal para entrar.
            Lindsey, Joe e eu damos sons de surpresa quando uma Jessy pálida entra no quarto.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Shadows - Capítulo 12

Meninas, vão para o último post. O capítulo que está aqui é o 12, e não o 11. O 11 ta no outro post. Leiam lá pra entenderem e desculpem-me pelo erro.

-Eu DETESTO a Rússia!!- Diz Jessy batendo os dentes.

         “Quem mandou não vir bem agasalhada?” me seguro para não jogar na cara dela.
         Eu estou bem quentinha, vestindo uma calça preta, uma bota de couro de cano alto, um sobre-tudo preto de lã e um cachecol bordo, meus cabelos estão soltos, com os fios dourados, e uma maquiagem preta e básica.
         Lindsey também não parece com frio, com uma camiseta fina de manga longa verde-escuro, um colete cinza felpudo com um capuz, uma calça cinza e uma bota de cano curto preta, ela levava o violino e o arco em mãos.
         Caminhamos pelas ruas de São Petersburgo rapidamente, seguimos Joe para uma livraria ou algo do gênero, Joe não nos deu muitos detalhes sobre o nosso destino.
         Estar na Rússia é tão confuso, ouvir tantas pessoas falando uma língua totalmente diferente e estranha para americanos, a maioria são pessoas pequenas e com pele branca, escondidas debaixo de casacos pesados.
         A neve está fora das calçadas e estradas, amontoadas em cantos, uma dessas pilhas de neve escondia em sua sombra uma pequena loja, velha e acabada, estava tudo escrito em russo e uma vitrine mostrava o interior escuro da loja.
         Joe segue calmamente para ela, abre a porta sem hesitar e dá passagem para nós, o interior da loja é empoeirado e cheirava a mofo, mas obviamente era uma livraria, um velinho corcunda chega para nos receber, ela fala alguma coisa em russo.
         -Hannibal Lecter nos mandou!- Diz Joe- Procuramos um livro que ele deixou aqui...
         -Ah...Acho que ele não fala nossa língua.- Digo.
         -Mas eu falo!-Diz uma voz estranha.
         Uma garota aparece do fundo da loja, seu cabelo é castanho e ondulado, ela usa uma roupa preta e moderna, com um salto gigantesco, seus olhos são azuis, seu rosto é gentil, mas esperto, ela parece totalmente diferente da loja em que estamos.
         -E sou eu quem você procura, meu nome é Danielle Campbell.-diz ela- Me acompanhem.
         Ela volta por onde veio, seguimos ela até um cômodo apertado, as quatro paredes formadas por estantes de livros antigos e mofados, a única luz do ambiente é fornecida por uma lâmpada pendurada no centro.
         A garota fecha a porta atrás de nós, então ela começa a procurar algo na estante, até que puxa um livro grosso e o entrega a Joe.
         -Aqui está o que precisa, buscador.- Diz a garota- Mas não pode levá-lo daqui.
         Joe assente e começa a folhea-lo, tudo está escrito em russo, ele suspira e fala para a garota.
         -Ok! Você venceu! Leia para nós.
         Danielle sorri e começa a falar, sem nem olhar para o livro:
         -O nome verdadeiro do livro é “Os segredos da neve”, fala sobre uma força antiga que habitava em flocos de neve, ela era pacífica e muito poderosa, mas essa força começou a ficar irada com o calor humano que fazia a neve derreter e a obrigava a mudar de hospedeiro, a força encontrou outro lugar em que viver, em algo diferente do humano, um garoto, no calor do sentimento de matar humanos e beber sua vida na forma física.
         -Beber sangue...- As palavras voam de minha boca.- O garoto era um vampiro!
         -Exato!- Responde ela- É claro que isso é uma história, mas a força deu ao garoto e a outros como ele a capacidade de controlar algo à sua volta, como uma habilidade vampira adicional.
         Fiquei pensando nos raios na mão de Jessy, na capacidade de controlar os lobos de Kistie e em mim, vendo aquelas coisas quando entro em contato de alguma forma com alguém...
         -Mas essas habilidades só podem ser desenvolvidas, não é?- Questiona Jessy- Não existem pessoas que já nasce assim!
         -Existem sim!- Respondo.
         Todos olham para mim, Lindsey morde o lábio e balança sutilmente a cabeça, me avisando, Danielle me olha com curiosidade, Jessy me encara, mas é Joe que faz a pergunta:
         -Que?
         -Eu só pensei alto.- Me defendo, mas ninguém parece convendo.
         -Ah...Danielle!- Chama Lindsey, tenta desviar a atenção- Huum...Você não é da Rússia, não é? Seu nome...
         -Sim.- Responde Danielle parecendo entusiasmada em mudar de assunto- Eu nasci nos Estados Unidos, fazem mais de cem anos.
         Que??? O mundo começa a girar rápido demais, minha cabeça começa a dar volta, parece que cheguei perto de mais de uma coisa importante, como se fosse mais uma chave para minha memória, seguro minha cabeça entre as mãos.
         -Demi?- Pergunta Joe, me abraçando- O que foi? Hum, os vampiros podem escolher envelhecer ou não, acho que isso foi informação demais para você...
         -Não é isso!- Danielle tem um brilho sombrio nos olhos- Ela está apenas chegando em suas origens.
         Ela me estuda com o olhar por alguns segundos, antes de arregalar os olhos, Danielle parece desesperada e fala sussurrando com urgência:
         -Vocês tem que ir em bora!- Então ela grita- AGORA!
         Somos levados para fora da loja, sem nenhuma explicação, apenas voltamos para a tarde congelante Russa.
         Vamos seguindo, sem um rumo definido, apenas não parando para pensar, Jessy fica o máximo possível longe de mim, mas ao mesmo tempo perto de Joe, porém agora eles não estão mais de mãos dadas, seria um alívio?
         Vamos atravessando uma praça, eu a reconhecia, em nossa língua é chamada de Praça do Palácio, é conhecida assim pelo enorme palácio que define o contorno norte da praça, é do tamanho de uma quadra grande, ela não tem nada de muito especial, é grande, sem árvores, nem grama, apenas enormes azulejos de pedra, com alguns bancos nas laterais da quadra e um obelisco no centro com uma estátua de um homem em cima.
         Como havia parado de nevar, alguns homens haviam retirado a neve de toda a praça, de forma que estava impecavelmente limpa, estava quase vazia, exceto por alguns turistas que fotografavam o palácio.
         Eu vou seguindo na frente do grupo, com Lindsey um pouco atrás e os grudes indo mais atrás, não quero que eles fiquem me olhando, principalmente Lindsey.
         Demoro para perceber que os passos atrás de mim pararam, me viro e vejo o motivo, Jessy está a dez metros de distância de Joe, ela simplesmente parou, olhando para o chão e com pulsos cerrados, aposto que estava tremendo, mas não de frio.
         -Por que?- Diz ela baixinho- Por que você apareceu, Demetria?
         Joe se aproxima dela, segura seu rosto entre as mãos, como se ela estivesse doente ou algo do tipo, ele olha para mim sem entender, mas Jessy percebe seu olhar e sua fúria é visível, ela estende a mão e sou atingida por um raio azulado.
         Caio no chão, fumegando, minha visão parece um caleidoscópio, mas posso distinguir Lindsey e Joe vindo ao meu socorro, eles ficam me perguntado se estou bem, mas não consigo responder, Lindsey olha em meus olhos e percebo o que ela vai fazer, mas eu não tenho com impedi-la.
         Joe continua me atendendo quando Lindsey se levanta e encara Jessy, ela prende seu violino nas costas com um cinto que atravessava seu peito que eu nem reparara que estava ali, ela segura o arco na mão direita e ataca Jessy.
         Obviamente Lindsey previu o ataque de Jessy, pois dá um salto e desvia facilmente dos raios lançados, então chega perto o suficiente de para começa o embate corpo a corpo, ela brande seu arco rapidamente e Jessy ganha um enorme corte no rosto.
         Elas lutam muito, ou talvez tenha sido pouco, é difícil dizer quando você está sentindo o próprio cheiro de carne queimada, Joe nem olha as duas, apenas fica verificando minha pulsação ou se eu ainda estou respirando.
         Jessy está com vários cortes pelo corpo e tem um olho roxo, Lindsey parece bem, mas começando a ficar cansada, até que tenta dar um soco no rosto de Jessy, mas ela desvia a cabeça e agarra o braço de Lindsey, dá um golpe de Judô e a joga no chão, imobilizado seus braços de barriga para cima.
         Dou um grito em alerta, mas é tarde, Jessy baixa o cotovelo no meio da clavícula de Lindsey, que fica sem ar, depois em alguma constela, então levanta o braço esquerdo de Lindsey e bate com força em seu braço, o som de osso de quebrando ecoa pela praça, depois um grito agonizante de dor.
         Joe percebe que a prioridade não sou eu e corre em direção a elas, eu continuo caída no chão frio da praça, observando Joe segurar os pulsos de Jessy e puxá-la para longe do corpo praticamente inerte de Lindsey.
         Eles ficam de pé, um de frente para o outro, Joe levanta a mão cerrada para socar Jessy, mas sua mão relaxa, seu rosto tem uma expressão estranha, surpresa? Preocupação? Medo? Incapacidade?
         Mas Jessy não tem misericórdia, ela se livra dele com um empurrão, Joe cai no chão frágil, por que não conseguiu atacar ela?
         Jessy se encaminha para mim, como já estou deitada ela simplesmente sobe em cima de mim, tento me livrar, mas estou zonza e ela segura minhas mãos me prendendo contra o chão.
         -Por que?- Pergunto.
         -Estava tudo tão perfeito, sem você por perto.- Percebo lágrimas caindo de seu rosto- Eu e Joe éramos unidos, invencíveis, mas graças a você...
         -Eu não escolhi isso!- Respondo com ódio- Você tirou minha vida, me levou para Hannibal, como se fosse minha amiga, você me trouxe para perto!!
         -Você não entende...- Sua voz fraquejou- Mas isso não importa, eu vou matar você, e Joe vai voltar a me amar.
         -JESSY!!PARA!!!- Joe grita.
         -Joe...- Jessy e eu sussurramos juntas.
         -Eu te amo, Jessy.- Diz ele com sinceridade- Mas não desse jeito. Desde que Hannibal me mandou buscar você do orfanato, ele já havia me avisado que ele iria te transformar, desde que eu te vi, uma garotinha de oito anos, eu me apaixonei por você, mas...
         -Pare...não...- Jessy balança a cabeça.
         -Mas como minha irmã...- Diz Joe finalmente- Desde que nos conhecemos, você foi apenas minha irmã mais nova, nada mais.
         -Nããããooo!!- Jessy grita.
         Ela levanta uma das mãos, raios negros circulavam nele, iam direto para mim, mas uma sombra aparece atrás dela, passa as mãos em volta de seu queixo e com um movimento único quebra seu pescoço.
         Jessy cai sobre mim, eu empurro seu corpo para o lado e vejo Hannibal sobre mim, ele oferece a mão, mas eu recuso, ele anda normalmente até Lindsey e a pega no colo, ela dá um gemido de dor, mas está viva.
         Joe vem até Jessy, com lágrimas nos olhos faz o mesmo movimente e endireita seu pescoço, ele a pega nos braços, eu faço um esforço imenso para ficar de pé e vou caminhando como uma drogada atrás de Hannibal em direção ao hotel.

         Fingindo que estava tudo bem...

domingo, 18 de agosto de 2013

Shadows - Capítulo 11

Gente, eu cometi um erro. Esse sim é o capítulo 11. Por favor, leiam ele e depois releiam o 12, dae vão entender melhor, hehe. Gomen pelo erro ^^

-Anda logo, Demi!- Grita Joe da porta.
         -Deixa ela em paz, Joe!- Grita Jessy para ele.
         Mas ela não parece muito satisfeita também, ela está com um short curto em cima de uma meia-calça de lã, um casaco liso, um cachecol bege extremamente longo e uma pequena bota, não sei como ela não está congelando.
         Ela e Joe estão encostados na porta de entrada, os dois com suas bagagens no chão e de braços cruzados, eles são muito parecidos, fico me perguntado qual o grau de proximidade deles, mas logo tiro esse ciúme ridículo da cabeça.
         Joe veste um casaco longo sobre as mesmas roupas de sempre, quando chego perto ele revira os olhos e vai em direção ao carro preto com janelas escuras que nos espera.
         Eu carrego apenas uma mala média, não levo muita coisa, só o básico, roupas, o estojo que Jessy me deu e um livro de Hannibal.
         Passo por Jessy e vou indo em direção ao carro, mas no meio do caminho, alguém grita meu nome.
         -Me espera!!- Grita Lindsey.
         Ela carrega uma enorme mochila e seu violino na caixa, correndo em minha direção, mas é parada por Jessy na porta.
         -Aonde você pensa que vai, Stirling?- Pergunta Jessy de forma intimidadora.
         -Na missão com vocês, Scram.- Responde ela sem se importar com a cara feia de Jessy (Os sobrenomes delas são estranhos...).
         -Você não foi escalada para essa missão!
         -Mas eu fiz parte do treino de Demi.- Responde Lindsey com confiança- Vou junto para acompanhar o resultado.
         Jessy bufou e foi se arrastando até o carro, Lindsey dá uma piscada para mim e eu sussurro um agradecimento, não consigo me imaginar sozinha com Joe e Jessy.
         Joe dirigia com calma pelas estradas,com Jessy de carona, Lindsey e eu no banco de trás, uma hora depois chegamos a New York, fecho os olhos e não olho para as pessoas mendigando nas ruas ou as famílias sorridentes indo para o parque, só abro os olhos quando Lindsey toca meu ombro avisando que chegamos.
         Descemos do carro em um aeroporto, as pessoas circulam feito loucas, correndo de um lado para o outro, sou jogada no chão por uma senhora obesa que corria para abraçar os netos que esperavam ela chegar de viagem.
         Joe nos conduz até um balcão, onde entrega documentos falsos, o homem do outro lado do balcão carimba os passaportes e entrega as passagens e os documentos a Joe, sem nem perguntar para onde íamos.
         Era um jatinho particular, razoavelmente grande, com quatro confortáveis poltronas viradas umas para outras em dois lados de uma mesa, algumas outra poltronas em lados opostos do avião como normalmente é, alguns armário e um banheiro.
         Lindsey vai chegar o conteúdo dos armários, Joe se joga no sofá esparramado e fecha os olhos, e Jessy se joga ao lado de Joe, deita sua cabeça em seu peito e abraçando sua cintura, ele a olha surpreso, mas retribui seu abraço e descansando sua cabeça na dela.
         Essa imagem me perturba um pouco, não entendo o motivo, já que eu jurei a mim mesma que iria odiar Joe, faço o possível para ignorar os dois, me sento na mesa, Lindsey aparece para afasta meu mal-humor, jogando diversas mini-caixas de diferentes tipos de cereais, junto com tigelas enormes e colheres.
         Em quanto experimentamos um cereal de chocolate e aveia, Lindsey se senta do outro lado da mesa com um violino preto e liso, ela começa a tocar uma melodia inconfundível.
         -Missão Impossível?- Digo com a boca cheia de cereal.
         Ela assente e começamos a rir como loucas, um pouco alto de mais, mas não deu para segurar, eu estava tão tensa...
         Depois de um tempo, Jessy e Joe se juntam à nós, eles dividem uma caixinha de cereal com pedaços de pêssegos ressecados.
         Jessy ergue a mão e fica olhando para ela, então do nada, pequenos raios de eletricidade começam a passar entre seus dedos, ela não pareceu sentir nada, apenas parece entediada.
         Joe percebe minha surpresa e dá um risinho:
         -Impressionada, Demi?
         -Alguns vampiros conseguem desenvolver habilidades anormais.- Diz Jessy ainda olhando para a mão- Eu levei anos para conseguir isso, não fique chateada se NUNCA conseguir algo assim.
         Lindsey dá um pequeno gemido, reprimindo um riso, ou um aviso, me dizendo para não falar nada, que talvez não fosse uma boa ideia contar para eles agora.
         -O que foi, Stirling?- Pergunta Jessy com desprezo- Está engasgada com a sua vergonha de não ter conseguido desenvolver uma habilidade dessas?
         Elas se encaram de forma mortal por alguns segundos, até que Jessy se levanta e vai para o banheiro.
         Horas depois chegamos à Rússia, desejei ter levado mais casacos, foi uma péssima forma de descobrir que o inverno Russo é o mais rigoroso de todos, estávamos no começo de dezembro e o inverno estava ao seu máximo.
         Mas o pior foi com toda certeza a presença que nos esperava no aeroporto, vestido com um casaco longo de lã marrom avermelhado, com luvas negras e os cabelos cor de areia penteados.
         -Sejam bem vindos à São Petersburgo!- Diz ele com os braços estendidos.
         Essas semanas sem Hannibal haviam sido tão agradáveis, eu mal olho para ele, apenas agradeço baixinho quando ele se oferece para por minha bagagem no porta-malas de uma limusine negra.
         Todos entram na limusine em silêncio, Hannibal dirige calmamente pela cidade, admito que fiquei admirada, muitos professores de História acabam fazendo a caveira desse país por causa das guerras e revoltas.
         Os prédios são baixos e bem separados, em um bairro, muitos ficam perto de um rio, como em Veneza, a cidade é muito bela e organizada, mas passa em um piscar dos olhos, o hotel em que vamos ficar é bem perto do aeroporto.
         A recepção do hotel deixa claro que é de primeira classe, com lustres de cristais, mobílias elaboradas e papeis de parede vermelhos e douradas, pessoas com pesadas peles desfilavam pelo saguão de entrada.
         Somos levados diretamente para um elevador junto com nossas malas, eu faço questão de ficar no lado oposto ao de Hannibal, com Lindsey perto de mim, seguimos até o 56º andar, que dá para um corredor longo cheio de portas, Hannibal nos leva até um dos quartos e com um cartão abre a porta.
         O quarto é simplesmente incrível, com três ambientes sem separação, o da esquerda é tem uma cama de casal imensa e uma porta dupla de vidro que leva à uma sacada, o ambiente do centro é por onde se entra, com uma porta que eleva ao banheiro e uma pequena (E sofisticada) cozinha, com equipamentos dignos de um chefe de cozinha famoso.
         O terceiro é uma sala agradável, com três sofás aconchegantes virados para uma televisão de tela plana que podia deixar um cinema no chinelo.
         Todos, exceto Hannibal, estão muito apreensivos, Joe pega a mão de Jessy, ela olha para ele e agradece com um sorriso (Que vontade de saber dar uma voadora...)
         Lindsey finalmente se mexe, indo até os armários da cozinha, remexendo e então levanta triunfante uma caixa de cereal sabor abacate e mel, eu não pude deixar de rir, me junto à ela.
         Jessy revira os olhos como se fossemos retardadas, Joe e Hannibal dão pequenos risinhos, entrando na brincadeira (Um pouco).
         Hannibal sussurra algo no ouvido de Joe e entrega para ele um envelope laranja enorme, depois sai sem se despedir, o que pra mim não fez diferença, Joe pega sua mala e senta na cama.
         -O que é aquilo?- Pergunto baixinho para Lindsey.
         -O Envelope?- Reponde ela com um floco no queixo- É a missão, tudo o que precisamos saber sobre ela está lá.
         -Então Hannibal não vai fazer parte disso.- Suspiro aliviada- Mas por que será que ele está aqui?
         Ela dá os ombros e ataca novamente o cereal, Jessy começa a andar de um lado para o outro, inquieta, Joe fica olhando o conteúdo do envelope esparramado na cama.
         -Quem era aquele com a Kirstie outro dia?-Pergunto tentando aliviar a tensão.
         -O Avi?Avi Kaplan?- Lindsey pergunta de boa cheia- Eles eram amigos grudados, até que ele saiu em uma missão, bem na época em que você chegou, então ela ficou meio agressiva...
         -Ela até se ofereceu para ser o seu desafio na sua iniciação.- Jessy aparece do nosso lado, parece que cansou de fica andando.
         -Mas quando ele voltou,- Continua Lindsey- Ele pediu ela em namoro, você já viu o resto, mas não pense que ela vai ficar mais boazinha, Ali é gente boa, mas não é capaz de segurar Kistie.
         -Como você consegue comer isso, Stirling?- Pergunta Jessy com uma cara de nojo para o cereal de abacate.
         -Com a boca, Scrham.- Lindsey pega a tigela e vai se sentar na sala.
         Alguns segundos tensos se passam entre mim e Jessy, eu finjo não perceber seu olhar pesado em mim, mas por sorte, bem na hora em que ela ia falar algo Joe vem até nós.
         -Espero que estejam animadas, meninas. Porque nossa missão vai começar agora.